Como a IA pode transformar nossa visão de sucesso

Participar do SXSW 2025, em minha primeira visita a Austin, tem sido uma experiência imersiva nas tendências de tecnologia e inovação. Uma pergunta não sai da minha cabeça: como levar toda essa energia criativa para o mercado B2B, tradicionalmente tão focado em eficiência?
Entre os diversos painéis que acompanhei, fiquei especialmente instigado pelas ideias de Ian Beacraft, futurista-chefe da Signal & Cipher. Sua palestra reforçou a importância urgente de redefinir os indicadores de sucesso na era da inteligência artificial. As métricas tradicionais de produtividade, redução de custos e ROI são importantes, mas já não garantem liderança no futuro. Apenas otimizar processos existentes não será suficiente; precisamos explorar novos horizontes estratégicos.
Historicamente, valorizamos números que demonstram “mais com menos”: maior produtividade, menor custo e processos ágeis. No entanto, quando aplicamos IA apenas para cortar gastos ou automatizar tarefas repetitivas, desperdiçamos seu verdadeiro potencial transformador. É hora de ir além das métricas de corte de custos para abraçar indicadores que capturam nosso poder real de inovar e criar valor.
A palestra trouxe métricas inovadoras que desafiam a lógica tradicional:
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Taxa de Inovação (Breakthrough Rate): quantas iniciativas rompem paradigmas e oferecem soluções inéditas para desafios reais.
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Pontuação de Ideias Inéditas (Novel Insight Score): avalia a originalidade e a relevância dos insights produzidos pelas equipes, indo além dos resultados quantitativos dos brainstormings.
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Índice de Integração de Conhecimento (Knowledge Integration Index): avalia a eficiência com que informações circulam entre áreas, resultando em soluções mais criativas e eficazes.
Esses novos indicadores têm potencial para transformar a forma como equipes e empresas operam, valorizando especialmente o surgimento de novas ideias e sua aplicação prática. Mas como exatamente essas novas métricas mudam o jogo para as empresas?
Grande parte das empresas — especialmente no B2B — ainda luta para construir estratégias maduras baseadas em métricas básicas de otimização. Diante disso, métricas de inovação podem parecer distantes, mas são exatamente o contrário.
Estabelecer objetivos claros de inovação pode impulsionar equipes a explorar ideias fora do convencional. Criar rotinas consistentes de experimentação encoraja testes frequentes e uma saudável aceitação de riscos calculados. Além disso, valorizar e registrar os aprendizados gerados por essas iniciativas é fundamental, e a IA pode desempenhar um papel crucial nessa tarefa.
Conversando com colegas de diversas indústrias, percebi que muitas organizações ainda têm desafios básicos em mensuração e análise. Se a cultura de avaliar eficiência ainda não está madura, como avançar rapidamente para métricas que medem inovação?
Essa questão lembra o que vimos com a transformação digital anos atrás, quando as empresas entenderam que não bastava apenas ter ferramentas tecnológicas – era preciso uma mudança profunda na cultura. O mesmo agora vale para a IA: mais do que dashboards avançados, precisamos alinhar as ferramentas ao propósito estratégico.
O desafio está em integrar as métricas tradicionais com aquelas que abrem caminho para novas oportunidades. No B2B, por exemplo, não basta medir a geração e custo por lead; é preciso avaliar também a capacidade de oferecer soluções inéditas e difíceis de serem replicadas por concorrentes. Precisamos entender não só quantas ideias surgiram, mas quantas delas foram colocadas em prática e geraram valor real.
O que isso significa para as empresas e suas equipes de marketing?
Significa um salto estratégico essencial para que a IA não se torne apenas mais uma tecnologia de redução de custos, mas sim um verdadeiro catalisador de crescimento e inovação. O futuro não está em simplesmente manter o que já funciona, mas em desbravar o desconhecido com coragem e criatividade.
Como reforça Ian Beacraft, precisamos de métricas que apontem para novos caminhos. Em um mundo que muda rapidamente, o risco real não é errar, mas permanecer estático enquanto o mercado avança.
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